terça-feira, 19 de abril de 2011

Parte II

Quando sai da estação a chuva fria caia, caminhei até meu apartamento, quando abri a porta um gato veio em minha direção...

...era apenas um filhote estava jogado na rua como um lixo, não miava, parecia não importar com o mundo assim como o mesmo fazia com ele, levei ele para casa, queria dar o nome de RedXIII, ficou Fenrir, de qualquer forma eu não tinha jogado Final Fantasy VII mesmo...

Tudo estava parcialmente claro, alguma situação me fazia lembrar das minhas memórias perdidas, aquele apartamento mal iluminado, não estava bagunçado mais poderia ser um ambiente triste, monótono, alegre ou sem vida, como se pudesse mudar de estado de acordo com o que se tinha em mente.
Me deitei para dormir, Fenrir pulou para a janela e saiu para rua, nada parecia estar diferente para ele, pensei novamente na gorota do trem...

...Em uma fase da sua vida você irá perder o chão, as esperanças, se sentirá fraco, será mais uma alma amarga a penar pelo mundo, todos temos problemas demais, meu caso não era diferente, toda noite antes de dormir me imaginava em um lugar vazio, todos os meus problemas, pensamentos ou até mesmo lembranças se tornavam pequenos origamis de papel ou tsurus, só de pega-los na mão sabia do que se tratava, isso começou no final da adolescência, foi uma das formas que me fez superar muitas dificuldades, eu guardava todos os origamis em uma caixa vermelha, eu tinha uma cheia de cards e figurinhas quando era criança, infelizmente eu a perdi, e agora ela servia no pensamento como a prisão dos outros pensamentos, quando eu queria esquecer algo eu em lugar bem distante e lá jogava o origami ,eu esquecia, no entanto, voltar ao lugar trazia ele novamente para a caixa...

Quando eu encontrei a garota no trem me lembrei de um amor que ocorreu em minha vida, todos os dias quando ia trabalhar três pontos a frente do meu, ela entrava no ônibus, tinha o cabelo grande e cacheados, mesmo sem perceber lá estava eu a contemplando como se adimirasse uma obra de arte, uma perfeita escultura moldada pela mais fantástica e pura inspiração da beleza feminina, tá isso foi meio além da minha percepção humana, era essa minha visão mesmo que destorcida e empolgada.

Não sei ao certo o acontecimentos posteriores, sei que o quebra-cabeça estava com as peças todas misturadas, transformar todas a lembranças de uma vida foi uma grande proeza, o que me levou a jogar tudo fora? em que caminhos vou encontrar novamente? não tinha outra jeito, esse era o caminho: perambular por ai atrás dos origamis, e só agora percebi o grande erro que cometi ao criar um caminho cheio de pedras ou origamis 


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